domingo, 11 de novembro de 2012

Calçada de Santana / Palácio de Sant´Anna




A Calçada de Santana, no coração da Freguesia da Pena (antiga freguesia de Santa Ana, fundada em 1564 pelo Cardeal Dom Henrique, após o desmembramento da Freguesia de Santa Justa), deve o seu nome ao Convento de Sant'Ana, erguido em 1561 por ordem da Rainha D. Catarina, no topo Norte da Calçada, onde já existia uma antiga ermida com o mesmo nome. Era o convento da Ordem Terceira de São Francisco e no seu lugar está, depois da sua demolição, desde 1892 o Instituto Bacteriológico Câmera Pestana.
Iniciando a descida, à esquerda dois Solares dos séculos XVII e XVIII, um dos quais o antigo Palácio Camarido, onde em 1946 se instalou a sede da FNAT - Federação Nacional para a Alegria no Trabalho - organização salazarista de índole fascista, fundada em 1936 e baseada nas suas congéneres italiana e alemã. Em 1979, com alteração dos estatutos, passou a denominar-se INATEL - Instituto Nacional para o Aproveitamento dos Tempos Livres - espaço que ainda hoje ocupa.
À direita a Igreja da Pena, consagrada em 1705, construída pelos próprios fregueses e pelos Irmãos de São Francisco, sofreu danos consideráveis com o Terramoto. Não dispunha na altura de Capela-Mor, que viria a ter grande riqueza em talha e elevada qualidade artística. O portal é encimado por um frontão triangular e tem ao centro um medalhão oval representando Nossa Senhora da Pena. A igreja é de nave única e as pinturas do seu tecto abaulado são alusivas à coroação da Virgem. À entrada da nave, do lado direito, uma pintura excelente sobre madeira representa São João Evangelista e, acima desta imagem pode ver-se a Hidra Apocalíptica, possivelmente de uma escola Portuguesa do século XVI.



Ao meio da Calçada, na esquina com o Beco de São Luis da Pena, encontra-se um edifício pós-terramoto, cujo proprietário em 1867 colocou uma lápide identificativa, como sendo ali o local da morte do poeta Luis Vaz de Camões. Apesar do mito, os historiadores parecem estar de acordo de que não seria ali o lugar exacto da casa onde morreu o poeta, sendo mais provável, pelo recurso a relatos dos séculos XVII e XVIII, um pouco mais abaixo na calçada, ou no cotovelo da Calçada Nova do Colégio, junto ao muro que delimitava os terrenos do antigo Colégio de Santo Antão-o-Novo (Hospital de São José). Certo é que foi enterrado nos jardins do Convento de Sant'Ana e quinze anos mais tarde transferido para debaixo do coro da igreja. Em 1880, por ocasião do terceiro centenário da sua morte, os restos mortais foram trasladados para o Mosteiro dos Jerónimos. Tal facto é assinalado por uma lápide na esquina do Instituto Bacteriológico Câmera Pestana.
Continuando no cruzamento do Beco de São Luis da Pena, importa referir que por aqui passava a Cerca Fernandina, cujo arco, o Arco de Santana, um dos Postigos da muralha foi demolido em 1676 para facilidade da circulação.
Do lado poente da calçada, encostada à face Norte da muralha, existiu a Ermida do Senhor Jesus da Salvação e Paz, demolida em 1936. Encostada à face Sul, a chamada casa da Esparragosa, sucessora da construção anterior, antiga residência do comerciante quinhentista com o mesmo nome.
Do lado nascente, na Calçada Nova do Colégio e nas traseiras da Rua Martim Vaz, ainda podem ser observados, fundidos no casario, a Torre de Santana e fragmentos da muralha e de um dos seus cubelos.
Mais abaixo, também a poente, o Convento da Encarnação, no largo do mesmo nome. Construído em 1630, encostando a norte a troços da muralha, em terrenos de Dom Aleixo de Menezes, tinha como principal objectivo abrigar as Comendadeiras da Ordem Militar de São Bento de Avis. Em 1643 é instituída a Irmandade das Escravas do Santíssimo Sacramento, sob a protecção de Nossa Senhora da Encarnação, funcionando na igreja do Convento.
O edifício ficou parcialmente destruído com o Terramoto de 1755, o que o deixou inabitável, transferindo-se as freiras para a cerca do Convento de Santo Antão. As obras de recuperação terminaram em1758, altura em que as religiosas regressaram solenemente ao seu convento em coches reais cedidos pelo Rei Dom José. Abrigava não só freiras provenientes de famílias fidalgas, como recolhidas, viúvas de militares ou senhoras cujos maridos andavam em guerra em nome d'el Rei. Com a extinção das ordens religiosas em 1834, a parte conventual desapareceu, mas manteve até aos dias de hoje as funções de recolhimento de senhoras. O Convento foi fundado em época anterior pela Infanta Dona Maria, filha de Dom Manuel I, no Poço do Borratém e só muito mais tarde foi transferido para este lugar. O Brasão da Infanta, decora a fachada principal da igreja.
De referir ainda, junto às traseiras do Convento, no Pátio do Salema, encostado ao Palácio dos Almadas ou da Independência, tiveram lugar as primeiras reuniões republicanas que precederam o advento do novo regime.

Fontes Principais: "Dispersos" e "A Cerca Fernandina de Lisboa". - Augusto Vieira da Silva
                             Junta de Freguesia da Pena







O Palácio de Sant'Anna é um palácio do século XVIII e está localizado no centro de Lisboa, junto ao Campo de Sant'Ana, no cimo da Calçada de Sant'Ana, fazendo gaveto com a antiga Travessa onde se localizava o antigo Convento de Sant'Ana.
No Palácio de Sant'Anna funcionou a Embaixada do Império Austro-Húngaro. O Sr. Conde de Mafra, no seu livro "Memórias do Conde de Mafra", refere que tendo ido almoçar ao Palácio de Sant'Anna a convite do Sr. Embaixador, ficou encantado com a beleza da Casa.
Foi adquirido no início do século XX, para sua residência familiar, pelo Professor Doutor António Lino Netto- eminente Advogado no seu tempo, Professor e Reitor do Instituto Superior de Economia, Vice-Reitor da Universidade Técnica de Lisboa, Presidente do Centro Católico Português e Presidente da Assembleia Nacional no tempo de Sidónio Pais. Por ter sido o grande opositor de Afonso Costa e grande defensor da Igreja durante a primeira República, foi agraciado com a Grã-Cruz de São Gregório Magno, a mais alta condecoração civil da Santa Sé, tendo as respectivas insígnias sido entregues pelo Sr. Cardeal Patriarca D. António Mendes Bello em nome de todos os Bispos de Portugal.
Anos mais tarde, foi arrendado à Direção Geral de Viação, tendo sido posteriormente, já no final do século, adquirido por uma neta do proprietário aos restantes herdeiros.
O restauro do edifício iniciado em 10 de abril de 2000 foi concluido em 2 de Novembro de 2002 e teve como preocupação sempre presente a conservação e respeito pelos elementos construtivos, arquitectónicos e decorativos que constituem e caracterizam o Palácio, assim como pelas intervenções ao longo dos séculos que completam e enriquecem a sua personalidade.

LOCALIZAÇÃO



Um comentário:

  1. FNAT - Fundação Nacional para a Alegria no Trabalho; sendo que o Palácio de Camarido aqui não se encontrava mas em São Sebastião da Pedreira

    ResponderExcluir