sábado, 17 de novembro de 2012

Convento das Francesinhas





«O CONVENTO DAS FRANCESINHAS »

O Convento de invocação do «SANTO CRUCIFIXO» das Religiosas Capuchinhas Francesas da Regra Primeira de «SANTA CLARA», mais conhecido pelo «CONVENTO DAS FRANCESINHAS»,   situado no início da «CALÇADA DA ESTRELA» frente ao «CONVENTO DE S. BENTO DA SAÚDE» , na parte noroeste da cerca e hortas do também já desaparecido «CONVENTO DA ESPERANÇA».
O «CONVENTO DAS FRANCESINHAS» foi fundado em 1667 pela rainha «D. MARIA FRANCISCA ISABEL DE SABÓIA». Entre as religiosas que acompanharam o séquito da rainha vindas de França, estava uma muito especial: soror «MARIA SANTO ALEIXO». Embarcaram a bordo duma esquadra francesa composta de 10 navios no dia 4 de Julho de 1666 com destino a Lisboa. A razão deste aparato naval prende-se com a protecção dada à Rainha, visto Portugal ainda  se encontrar em guerra com Espanha.
A nove de Agosto a Rainha chegou ao sítio da "JUNQUEIRA" indo recebe-la a bordo o «CONDE DE CASTELO MELHOR» (D. LUÍS DE VASCONCELOS E SOUSA) com sua mãe, (que mais tarde seria nomeada camareira-mor da Rainha), dirigindo-se para o «PAÇO DE ALCÂNTARA» onde a aguardavam o rei «D. AFONSO VI», seu irmão «D. PEDRO», (mais tarde seria  "D. PEDRO II") e toda a corte.
Na Igreja do «CONVENTO DAS FLAMENGAS» foi ratificado o casamento, sendo celebrado pelo Bispo de «TARA» e pelo capelão-mor da Casa-Real.
A primeira pedra do edifício da Igreja do «CONVENTO DO SANTO CRUCIFIXO» foi lançada a 3 de Maio de 1667 e o Mosteiro construído para 33 religiosas, em honra dos anos de Cristo.
As «CAPUCHINHAS FRANCESAS» que acompanhavam a Rainha, terão ficado inicialmente no «CONVENTO DAS FLAMENGAS» passando depois para o «CONVENTO DA ESPERANÇA» até se concluir o hospício onde deveriam habitar.
«D. MARIA FRANCISCA ISABEL DE SABÓIA», era casada com o rei «D. AFONSO VI». Dizia o povo que o Rei era fraco de espírito, com anomalias no corpo e de estranhos hábitos.
Mais tarde existiria uma atmosfera tensa dando a entender uma rivalidade entre o rei e seu irmão, «D. PEDRO» que pretendia o trono de Portugal. «D. MARIA FRANCISCA ISABEL DE SABÓIA» vê-se envolvida em intrigas palacianas, sendo obrigada a reconhecer que o marido era um libertino e seu cunhado muito mais sensato para gerir os destinos da Nação.
Pelos meios normais propõe a sua separação matrimonial e enquanto decorre o processo de divórcio aloja-se provisoriamente (em 1667) no «CONVENTO DA ESPERANÇA», dado que o seu ainda não estava finalizado.
Desta aproximação política entre «D. PEDRO» e «D. FRANCISCA DE SABÓIA» resultou um amor adúltero, que segundo consta teve início em Santarém durante algumas caçadas. A Rainha mais tarde empregou diligências para os juízes e Conselheiros de Estado, afirmando que o seu intento era declarar a todos que o seu casamento estava nulo por impossibilidade de seu marido.
A 13 de Fevereiro de 1668 «D. PEDRO» consegue um tratado de Paz com a Espanha, existindo um grande contentamento na nação, pois estava esgotada com uma guerra que durara 27 anos.
Em 24 de Março de 1668 na sentença da anulação do matrimónio é lida a pronúncia a seu favor, assim no dia 27 do mesmo mês era celebrado um novo casamento, desta vez com o seu cunhado (D. PEDRO II), na «IGREJA DA ESPERANÇA» e, seu primeiro marido partia para o exílio na «ILHA TERCEIRA» AÇORES.
A rainha adoecera gravemente em 1683, morrendo três meses depois de «D. AFONSO VI».
Foi sepultada no convento que fundou, seguindo-lhe sua filha a princesa «D. ISABEL LUÍSA» que falecera solteira aos 21 anos de idade, no «PAÇO DA RIBEIRA» em 1690.
Depois da extinção das «ORDENS RELIGIOSAS» em 1834 e após a morte da última religiosa, madre «HENRIQUETA MARIA DA CONCEIÇÃO», foi o Convento extinto em 1890. Já bastante arruinado o «CONVENTO DAS FRANCESINHAS», serviu de ASILO para "COSTUREIRAS E CRIADAS DE SERVIR", que mereceram os cuidados da «VISCONDESSA DE CARVALHO», que morava ali bem perto na «RUA DOS INDUSTRIAIS».
Com a implantação da REPÚBLICA em 1910 as ocupantes do Convento foram desalojadas e saíram escoltadas por soldados e populares. O Convento, que já apresentava grande ruína, começou a cair aos bocados depois dessa data. Uma parte dos seus restos arquitectónicos foi parar ao «MUSEU ARQUEOLÓGICO DO CARMO». O recheio da Igreja foi distribuído por várias casas de oração, com excepção daquilo que foi furtado ou extraviado.
O terreno foi terraplanado com entulho, perante o olhar estarrecido dos transeuntes mais curiosos. Diz-se que quando os operários se demoravam a demolir as importantes e grossas paredes do CONVENTO , ficavam ao relento "Capelas de Talha", "Frescos" quase intactos. As sepulturas eram profanadas, os esqueletos estavam visíveis. Quem se aproximava do local podia ver homens a vasculhar entre as ossadas, na procura de alguma moeda de ouro. Este espectáculo ainda durou quase um ano, até a edilidade deixar tudo limpo, embora ao abandono. Nessa época o povo que passava pelo local tinha o costuma de se benzer, lembravam que o resultado daquela desgraça era motivada pela odiada «MARIA FRANCISCA ISABEL DE SABÓIA».
Em 1912 os restos mortais de «MARIA FRANCISCA» eram transladados para o «PANTEÃO DE S. VICENTE DE FORA».
Na cerca do Convento esteve instalado o «PARQUE SANITÁRIO» (antigo Posto de Desinfecção), junto de uma rua chamada «CAMINHO NOVO» (hoje RUA DAS FRANCESINHAS), foram também construídos prédios de rendimento e uma esquadra da "P.S.P.".  
Entregues os despojos do Convento o local das suas antigas  instalações ficou desaproveitado até ao início dos anos 30 do século XX.
Só mais tarde se desenhou e  construiu o «JARDIM DAS FRANCESINHAS» ou «JARDIM LISBOA ANTIGA». Neste Jardim podemos apreciar a peça «A FAMÍLIA», grupo escultórico da autoria de «LEOPOLDO DE ALMEIDA», peça executada em mármore, o plinto foi construído em calcário lioz, tendo sido inaugurado no ano de 1949.
Os terrenos do antigo Convento e sua cerca foram ocupados (conforme já nos referimos); por um «JARDIM», serviços do «MINISTÉRIO DA SAÚDE» e uma esquadra de Polícia. A esquadra foi desactivada, a «Unidade de Saúde das Francesinhas» encerrou em 25 de Janeiro de 1993, ambas foram substituídas por dois  edifícios das novas instalações do «ISEG-INSTITUTO SUPERIOR DE ECONOMIA E GESTÃO».



TEXTO RETIRADO DO BLOG RUAS DE LISBOA COM ALGUMA HISTORIA






Um comentário:

  1. Qual o fim dos túmulos que haviam neste local ?
    Ainda existem fotos antigas destes túmulos ?
    Para onde foram transladados os restos mortais das pessoas que estavam sepultadas nos jardins deste convento ?

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